Meu perfil
BRASIL, Mulher, de 26 a 35 anos, Música, e-mail: nonstop_blog@yahoo.com.br

Rewind
01/06/2004 a 30/06/2004
01/04/2004 a 30/04/2004
01/03/2004 a 31/03/2004
01/02/2004 a 29/02/2004
01/01/2004 a 31/01/2004

Vote
Be My Teacher


Try it!
Apenas um Cara Normal
C:\Blah Blah Blog
Borboletinha
Carlos Dutra
Cavanhaque 72
Cera Quente
Chill-Out!
Confidence Blog
Dani Gaio
Distante do Mundo Real
Flor Marinha
Garota Prozac
Getchoo
Já Viu?!
Krys´ Blog
Lixo e Filosofia
Lua Melancólica
Macho Solteiro Também Sofre
Magra Emergente
Mamãe Passou Açúcar em Mim
Matrix Evolution
More Than Words
Música na Alma
O Fantástico Mundo de Rê
Ócio Produtivo
Pois é! Essa Sou Eu!
Ojii e suas Idéias
Rock e Cigarros
Túlio di Bão

Pegue Você Também!

O mundo é das mulheres de 30

Entre e tome um café

o químico e sua mente

E Vampire-se por aí

 








::By Andrea - 17h44
[   ] [ Send it ]



Num estalar de dedos, basta fechar os olhos e viajar. De preferência, escolha uma boa roupa; sapatos adequados; na falta dos mesmos, jeans, camiseta e tênis também valem. Por favor, só não carregue no perfume. Vamos aos clubes de jazz, mas não espere apenas por senhores negros e seus metais. Há muito mais nesse palco imaginário.

 

 

No canto iluminado, Herbie Hancock balança a cabeça, enquanto ouve uma de suas músicas transformada em drum´n´bass fino. Minutos mais tarde, Billie Holiday (também conhecida como “Lady Day”) empresta a rouquidão e a suavidade de sua voz a “D´jazz Tribute” – um misto retrô e moderno. Ainda no clima cool, o japonês Kaori reinventa “Good Life”, do Inner City, deixando o hit 80´s com jeito 50´s.

 

Esse é o embalo de “Saint-Germaín des-Prés Café II”, coletânea lançada há dois anos pelo selo francês Wagram. Tenho escutado esse disco todos os dias. Não dá para enjoar. Dezoito faixas e muitas xícaras de extra-forte, carioquinha, descafeinado e o que mais der para beber.

 

Apesar da presença de “seres contemporâneos”, como Kevin Yost e Zero db, o CD abusa de melodias dignas das big bands. Não faltam trompetes, pianos, boas “vassouradas” de bateria e o velho baixo acústico, resultando no que alguns teimam em chamar de electro-jazz. Eu dispenso a nomenclatura.

 

“Des-Prés Café 2” é jazzy e ponto final. Tanto faz se você estiver em New Orleans ou num chill-out da vida com os amigos. Pegue sua xícara e delicie este álbum. Estale os dedos e fique à vontade para se sentir em Saint Germain!        

 

1.   Saint-Germaín-Des-Prés - Pink Satellite
2.   Possoz Boogie - Klement Julienne
3.   Snare - Zero db
4.   Too Deep - The Duncan
5.   Essence - Herbie Hancock
6.   Beady Belle - Game
7.   D'Jazz Tribute -David Grumel feat Billy Holiday
8.   Summer Sun - Koop feat Yukimi Nagano
9.   Hit the Road Jack (Pé Na Estrada) - Mo' Horizons
10. Beads, Things & Flowers - Humble Souls
11. Mr. Dope - Kenny Dope
12. Good Life - Kaori

13. Move on Up - Mark De Clive-Lowe feat Cherie Mathieson
14. Heavy Piano - Duran Y Garcia
15. 5 Alive - Kevin Yost 
16. Strangest Feeling - Gorodisch
17. Change - Bugge Wesseltoft
18. Private Sunshine - Ashley Slaters



::By Andrea - 17h28
[   ] [ Send it ]



xx/xx/198x - O manifesto

New Wave no cabelo; Boka Loka, nos lábios. Nada tão característico como um Vans quadriculado nos pés e uma mochila OP nas costas. Uma calça Lee e uma camiseta Lightining Bolt também caem bem. Ah... os anos 80. Década louca, tempo das descobertas e crescimento de muitos. Tudo embalado por música. Muita música.

 

Em Brasília, jovens fervilham sob influência do punk, enquanto o movimento dá os últimos suspiros lá fora. Grupos como Capital Inicial, um tal de Legião Urbana (alguém aqui conhece?) e Paralamas do Sucesso começam a aparecer. E a gente, endoidecida, corre atrás dos bolachões. Mas o Rio também dá cartas com a Blitz, Barão Vermelho, Kid Abelha. A cabeça roda e Beth Balanço só quer fazer amor de madrugada, longe de casa.

 

De São Paulo, surgem outros grupos, mais lembranças. Ultraje a Rigor quer invadir a praia de todo mundo, mas o Ira!, devidamente instalado em seu “Núcleo Base”, avisa que já é tarde, muito tarde. Pelo menos, a banda não foi embora. Ela juntou-se ao rock sulista do Engenheiros do Hawaii e Nenhum de Nós na galeria pop brasileira.

 

Ainda tem espaço para o sarcasmo 50´s do João Penca, Camisa de Vênus e, quem diria, o new wave verde e amarelo da Gang 90. Nessa época, quem tinha mullets, era rei! Creio que todos nós tivemos espaço como majestades. Manda o cetro, mas não queremos capa. Basta uma meia de arrastão ou calça de lycra. Bota Commander, All Star. Mas não esqueça a música.

 

Coloque Madonna, Cyndi Lauper e me deixe gritar em “We Are The World”. Não olhe para minha idade e me deixe falar “vão se foder”! Os Titãs já avisaram, aqui na face da Terra, só “Bichos Escrotos” é o que vai ter. Não me impeça de ver os clipes do Iron Maiden nem me chame de esquisita se eu dançar ao som do Duran Duran. Me deixe chorar, ouvindo U2, e me permita rir com Weird Al Yankovic. “Who´s Fat”, aqui?

 

Quero a minha fita BASF laranja e preta, meu três em um Sharp. Vou empilhar sete discos para tocar em seqüência. Supertramp, Echo & the Bunnymen, Eurythmics, Van Halen, Kiss, Tina Turner e Big Audio Dynamite. Me empreste seus discos do New Order, Depeche Mode, Information Society, Erasure, Soft Cell. Eu quero gravar Wham!, Prince, Michael Jackson (qual é o problema?). Nem sei o que é pedofilia.

 

Pop Will Eat Itself sempre! Me deixe quieta com Sinéad O´Connor e sua “Mandinka”. Não me perturbe enquanto eu ouvir INXS, Tracy Chapman ou Suzanne Vega. Eu quero sonhar com Journey, ir para Europe, rir com Bon Jovi. Quero usar óculos como os integrantes do Devo, arrepiar o cabelo como o pessoal do Siouxsie & the Banshees.

 

Você não entende que Smiths é The Cure. Bauhaus é tão bom como Ramones. Não há mal em escutar Dead Kennedys ou pular com TSOL. Toy Dolls faz música para criança. Simple Minds, para adultos. Mas eu gosto. Rock in Rio com Queen, comercial do cigarro Hollywood. Arranca peito mas tem trilha sonora boa. White Snake e “Love Ain´t no Stranger”; Tear For Fears. No final, só queria que você entedesse: “Everybody Wants to Rule the World”. E a música é o atalho. 

::By Andrea - 11h52
[   ] [ Send it ]



Do not rest in peace...

Fã de Ramones, Stooges, até Madonna. Andrew Eldritch é um cara versátil, também ouve Ofra Haza. Mas quem pensa que o som dele tem algo a ver com algum dos nomes citados, é bom se preparar, está enganado. Andrew é vocalista e líder do Sisters of Mercy, ícone gótico musical. Antes de assumir o microfone, nosso intrépido inglês tocava bateria. Mas desistiu das baquetas, ao perceber que era péssimo no instrumento.

 

Mr. Andrew & Patricia Morrison

 

Ainda bem. Ganhamos uma voz grave, sinistra e performances marcadas por inseparáveis óculos escuros. Sisters of Mercy, sem Eldritch, não seria o mesmo. Vai ver, por isso, ele é o único integrante que está na banda desde sua formação (1980). Entre os vários músicos que passaram pelo grupo, estão Wayne Hussey e Craig Adams, que abandonaram o Sisters em 1986 e formaram o The Mission (UK). Mas essa é outra história.

 

Uma curiosidade na música da banda é a bateria eletrônica, simpaticamente, batizada “Doktor Avalanche”. Ela é dona da “cozinha” e companheira fiel das guitarras, o que dá uma certa simplicidade nas melodias. Mas quem ouve Sisters of Mercy, procura algo além do virtuosismo ou sofisticação, até porque as músicas do grupo não foram feitas para balançar a cabeça, dar murros na parede ou fazer mímica de guitarrista. O som do Sister é para escutar e pensar num quarto escuro ou num cemitério. Chega de blá, blá, blá. Vamos aos discos.

 

“First and Last and Always” (1985) – Produzido e mixado por Dave Allen, esse álbum tem 10 faixas. Delas, verdadeiros clássicos foram tirados: “Black Planet”, “Marian”, a música que dá nome ao trabalho e “Walk Away”. “Walk Away” é sensacional e foi escrita por Eldritch e Wayne Hussey. Recomendada a qualquer hora. Isso sim é gótico. 

 

“Foodland” (1987) – Como é difícil falar desse álbum. Além de trazer Patricia Morrison no baixo, o CD parece que foi montado só com hits. Mais uma vez, são dez músicas no track list. Três faixas são excelentes: “This Corrosion”, “Dominion/Mother Russia” e, finalmente, “Lucretia My Refletion”. Aliás, a primeira vez que eu ouvi essa pérola, fiquei totalmente arrepiada. A voz de Andrew é de assustar! Produzido por Jim Steinman. 

 

“Vision Thing” (1990) – Esse é o último trabalho oficial do Sisters, talvez o mais rock and roll, embora a banda tenha usado mais recursos eletrônicos. São oito faixas com produção de Jim Steinman, de novo. É aqui que encontramos “Detonation Boulevard”, “Doctor Jeep”, a faixa título e a quase épica “More”, minha favorita. “D´you get scared to feel so much? To let somebody touch you? So hot, so cold, so far, so out of control. Hard to come by, and harder to hold”. Acho que não preciso falar mais nada sobre essa faixa.  



::By Andrea - 17h26
[   ] [ Send it ]



Há alguns meses, enquanto pesquisava novas sonoridades na web, tive oportunidade de conhecer um disco diferente: “Constant Friction – Collaborations 2”. Trata-se de uma coletânea lançada há quase quatro anos, pela Lo Recordings. São 14 faixas experimentais, com participação de várias figuras da música, mas só uma banda é bem conhecida no Brasil: Stereolab.

O disco não teve grande divulgação, nem vendeu o que merecia. Não sei por quê. Os demais “anônimos” que fazem parte do projeto não decepcionam. “C.F.” não se prende a um só estilo, mas dá impressão que há ligamento entre cada uma de suas músicas. O CD é uma delícia de ser escutado. Se você também procura por novidades, confira o track list.

 

1 – “Bounded” -  broken beat +trip hop. A batida é do Plaid. O vocal é de Addie Brik. Essa americana surge divinamente em “Bounded”, com uma vaga lembrança de Beth Gibbons, do Portishead. Relaxing...

 

2 – “Thumper (Icoul Not Let Go) – experimentalismo “descontrol”, sob comando de Persona e Warn Defever. Não há como definir essa música, cheia de metamorfoses. “Thumper” não é para ser dançada; é chill-out.

 

3 – “Plate Core” – jazzy de tudo. Bateria básica, baixo redondo, e mixagens modernas. Richard Thomas e Squarepusher mandaram bem. Papo com os amigos ou livro no colo são os cenários ideais para “Plate Core”.

 

4 – “Rivers Becomes Oceans” – linda. O baixo faz a diferença aqui, lembrando os acordes de Peter Hook, do New Order. A música é suave e tem um dos arranjos mais simples e belos que já escutei. Além de um pianinho discreto, um violão ao fundo e uma percussão bem marcada completam a melodia. Four Tet e Rothko (baixista da área), obrigada!

 

5 – “Shock” – drum´n´bass nervoso + techno ácido. É para dançar! O som é uma parceria do Void com Twisted Science.

 

6 – “Reminds me of the Sun” – baladinha curta, mas tem vocal. De OBX e Sophia.

 

7 e 8 – “GU9” – o som é uma graça! Meio neo-bop e jazz-funk eletrônico. Animadinha, parece som de desenho animado! Trabalho de Mondii e Inap. É só escutar e estalar os dedos.

 

9 - “199...” – techno roots! Bem sampleada, seria puro barulhinho místico, mas tem um quê a mais. Mike Flowers e Cylob fizeram um great job juntos.

 

10 – “Wanging it” – drill´n´bass:  vertente experimental e bem mais agressiva que o drum´n´bass. Muito Aphex Twin. Chega a ser sinistra. Programada por Luke Vibert e BJ Cole. Imperdível!

 

11 – “Nuclear Cats New Home” – começa non sense, até ganhar guitarra e lembrar o som do Mogwai. Por Blitter e Hrvatski. 

 

12 – “Fuck You, Fuck Your Endoscope” – nada rítmica. De Mossoon Bassoon e Rothko.

 

13 – “Psychedelic Rock” – só samples. Que o diga Kid 606 e Richard Thomas.

 

14 – “Brain Drain” – despedida alegre com Stereolab e Hairy Butter. Poderia fazer parte do álbum “Emperor Tomato Ketchup”, sem pestanejar.



::By Andrea - 11h16
[   ] [ Send it ]



Put a record on

Quando ouve o termo “DJ”, qual é a primeira coisa que passa na sua cabeça? Alguns vão logo pensando em Marky, Mau Mau, Paul Oakenfold etc. Geralmente se lembram dos nomes mais “populares” ou daqueles que só fazem sucesso se tocados nas rádios brasileiras. Será que você já ouviu falar de Gilles Peterson?

 

 

Suíço, foi criado no sul de Londres. E o interesse pela música veio aos 13 anos, quando um amigo lhe apresentou o som black. Juntos, os dois varriam lojas de discos e freqüentavam festas soul. Início da década de 80: Gilles tinha 18 anos, quando começou a discotecar nos arredores de Londres. No case, Earth Wind & Fire, Level 42 e outros mestres da música. O tempo foi passando e o DJ acrescentou modernidade ao jazz, funk, soul e – acredite! – bossa nova. Essa capacidade de mesclar ritmos e estilos lhe rendeu comparação a Berry Gordy, lendário produtor da Motown Records.

 

Em 1985, Gilles lançou “Jazz Juice”, uma coletânea com tudo que ele colocava nas pistas. Mas Peterson também trabalhou em rádios piratas, até ganhar seu primeiro espaço oficial. Em 1986, ele estreou as matinês “Talkin´ Loud” e “Saying Something”, na casa noturna “Dingwalls”, com participação de outro grande DJ: Patrick Forge. Em plena explosão da house music, Gilles não teve dúvidas em misturar beats eletrônicos com muito sax, baixo, vocais históricos e melodias controversas. Ali, nascia o acid jazz.

 

A fórmula resultou na criação da gravadora “Talkin´ Loud” em 1989, que descobriu um tal de Roni Size e também despertou atenção sobre um certo Jamiroquai (mais tarde contratado pela Sony). Peterson ainda tocou nas emissoras “Jazz FM” e “Kiss FM”, até chegar na “Radio 1” da BBC, em 1998. Com o programa “WorldWide”, o DJ conseguiu conquistar o primeiro lugar na audiência inglesa.

 

“WorldWide”, que também é transmitido em 15 países, já levou Gilles Peterson a várias partes do mundo, incluindo Brasil (2002) – numa festa promovida pela Trama. E o público, que esperava muitos “putsputs” e scratches, estranhou aquela mistureba toda de hip-hop, soul, funk, bossa. E se a gente parar pra imaginar, realmente parece muito estranho. Mas o set não ficou por aí. Sempre tem espaço para tudo nas pick-ups de Gilles e, quando a gente menos espera, ele consegue encaixar até drum´n´bass, broken beat, ou electro, num sincronismo perfeito!

 

Esse é o segredo de um grande DJ. Não se limitar apenas ao óbvio, mas oferecer groove em suas formas mais inusitadas. É ter conhecimento e sensibilidade suficientes para transformar a pista numa festa inesquecível. Let´s party, baby!

 

 

Ouça: dos 12 discos lançados por Gilles Peterson, recomendo “WorldWide Vol.2”. Lançado há quase dois anos, esse é um dos meus álbuns favoritos e resume bem tudo o que foi escrito no texto acima. Tem mixagens com Jazzanova (no melhor estilo Stereolab), Grupo Batuque, Sun Ra e muito mais. Outra preciosidade que não pode passar desapercebida é o CD “INCredible Sound of GP”. Do chill-out à batida perfeita.

 

 

 

Você também pode escutar o “WorldWide” pela web. Basta clicar e viajar.    



::By Andrea - 16h49
[   ] [ Send it ]



Enjoy the song

Experimente chegar em casa cansado. Pegue algo para beber. Tire os sapatos, deite-se ou fique sentado mesmo. Mas faça tudo isso escutando “I Fell You”. Aí está o clima perfeito! Essa música do Depeche Mode faz parte do álbum “Songs of Faith & Devotion” (1993), um dos sons mais sensuais que eu já ouvi. Se preferir, ouça o single “Route 66”. O efeito é praticamente o mesmo...

 

Depeche Mode é uma banda singular que garante soundtrack para qualquer ambiente, a qualquer momento. Não é à toa que o grupo é venerado no mundo inteiro. Além das melodias que incitam prazeres corporais, as letras perturbadoras despertam pensamentos e análises, graças ao guitarrista e tecladista Martin L. Gore. Com o Depeche Mode, o eletrônico saiu lucrando.

 

“Speak and Spell” (1981), primeiro disco dos ingleses, é o único que tem letras monopolizadas por outro músico: o tecladista Vince Clarke que, tempos depois, tocaria no Yaz e Erasure, onde ainda divide cena com Andy Bell . Desse trabalho, veio “Just Can´t Get Enough”, o primeiro sucesso do grupo – uma coisa meio new wave. A faixa até fez parte da trilha de “Louco Amor”, novela da Rede Globo. O que passa disso é domínio de Gore.

 

Mas é claro que o outro grande responsável pelo êxito do Depeche Mode é o vocalista Dave Gahan. Com uma voz inimitável, Gahan pode passar do sutil ao agressivo, assumindo postura original de intérprete. Essa versatilidade é fruto de influências, no mínimo, curiosas como Rolling Stones, Pink Floyd, Led Zeppelin, The Clash, Iggy Pop, Chris Cornell, Billie Holliday e Marvin Gaye. Se ele fosse brasileiro, será que incluiria Roberto Carlos na lista? Talvez, só no tempo da Jovem Guarda... 

 

Para gravar “Songs of Faith & Devotion”, Gahan se inspirou na cena grunge que se alastrava Estados Unidos. Isso deu ao disco um toque tão pesado como o rock de Seattle. Nesse período, Dave começou a usar heroína, tentou suicídio e só escapou do pesadelo, depois de se internar numa clínica de reabilitação. Página virada, vamos mudar de assunto.

 

Confesso que é difícil falar sobre todos discos do Depeche Mode. Por isso, escolhi dois que são considerados os melhores. “Music for the Masses” foi lançado em 1987, com 14 faixas. O álbum foi produzido pela banda em parceria de Daniel Miller, que já assinou trabalhos do Soft Cell, só pra ilustrar). Desse LP, três singles ficaram eternizados: “Strangelove”, “Behind The Wheel” e “Never Let Me Down Again”.

 

Outro clássico é “Violator” (1990), produzido pelos integrantes do grupo e Flood (que já trabalhou com Nine Inch Nails, Pop Will Eat Itself, U2 e Smashing Pumpkins, entre outros). “Violator” dispensa comentários. É bom do princípio ao fim. Mas não dá pra passar batido pelos hits “Policy of Truth”, “Personal Jesus” e, finalmente, “Enjoy the Silence” – que rendeu um belo vídeo.

 

Gahan e Gore também têm trabalhos paralelos ao Depeche Mode. Mas quem gosta do grupo pode explorar outros horizontes com a melhor homenagem que os ingleses já receberam. Trata-se de “For The Masses: Depeche Mode Tribute”, de 1998. O CD traz 16 releituras de músicas e bandas escolhidas a dedo.

 

Nesse álbum, temos oportunidade de ouvir The Cure, tocando “World In My Eyes”; Failure e uma fantástica versão de “Enjoy The Silence”; Apollo 440, com “I Feel You”; Gus Gus, com “Monument” e Smashing Pumpkins, revertendo “Never Let Me Down” em acústico. Nomes como Deftones, Veruca Salt e Rammstein também fazem participação especial, só pra apimentar um pouco mais o tributo.

 

Dica: se você tem esse disco em casa, não o deixe empoeirado na estante. Mas, se você não conhece nenhuma faixa dessa coletânea, não perca tempo. Corra atrás!



::By Andrea - 19h41
[   ] [ Send it ]



E tudo se fez novo

Certas bandas têm relação direta com algumas das melhores lembranças da minha vida. É o caso do New Order que surgiu em 1980, com o suicídio de Ian Curtis e o conseqüente fim do Joy Division. Sob a sombra dark, Bernard Sumner, Peter Hook, Stephen Morris e Gillian Gilbert coaram essência eletrônica e herança disco num pote repleto de rock simples, onde o baixo falava mais alto. Salve Hook!

 

O primeiro single, “Ceremony”, saiu em 1981, assombrado pela alma de Curtis e só emplacou o top 40 do Reino Unido. “Movement”, álbum de estréia, foi lançado no mesmo ano com uma dica do que viria a seguir. Basta escutar a faixa “Truth” e concluir. Em 1983, saiu “Power, Corruption & Lies”, onde o New Order começa a tomar forma de verdade. Aclamado pela crítica, o bolachão trazia o hit “Blue Monday”, que só estourou no Brasil, quatro anos mais tarde. Inesquecível...

 

“Low Life”, outra obra-prima, veio depois de dois anos e conquistou de cara com “The Perfect Kiss” e “Love Vigilantes”. O estilo já estava definido. E o que dizer de “Brotherhood”? Lançado em 1986, o LP tinha mais uma prova que o New Order veio para ficar com “Bizarre Love Triangle”, clássico absoluto. Aproveitando a boa fase, no ano seguinte, o New Order chegou com uma das melhores coletâneas da história: “Substance” – álbum duplo com 24 singles.

 

Com certeza, “Substance” foi o pontapé inicial para muitos apaixonados por New Order. Também pudera: além de faixas já citadas nesse texto, o disco trazia “True Faith”, “Thieves Like Us”, “1963” e a fantástica “Temptation”, que entrou na trilha sonora do filme “Trainspotting”, 11 anos mais tarde. Velhos tempos...

 

Em 1989, o New Order usou e abusou das batidas eletrônicas em “Technique” – uma boa despedida da “década dos exageros”.  Entre as melhores músicas, o álbum tinha “Round & Round” e “Fine Time” (constantes nas rádios brasileiras), além de “Run”: totalmente nostálgica e altamente recomendada.

 

Nos anos 90, a nova ordem se guardou e lançou apenas um trabalho inédito: “Republic” (1993). Os fãs adoraram, ainda mais por “World” (farofa) e “Regret” (divina!). Daí em diante, foram oito longos anos de espera, até  que os ingleses finalmente saíssem da caverna, com alguma novidade.

 

Estou falando de “Get Ready” (2001). O trabalho teve participação especial de Bobby Gillespie (Primal Scream), em “Rock the Shack”. E Billy Corgan (ex-Smashing Pumpkins, atual Zwan) teve a chance de dar uma canjinha na melódica “Turn My Way” – uma das preferidas da que vos escreve. Para os que gostam de algo mais up, resta a dançante “Crystal”, responsável pela abertura do álbum.

 

“Get Ready” também marca a despedida da tecladista Gillian Gilbert, que deixou o grupo para cuidar da família. Ela é esposa de Stephen Morris e teve dois filhos com o baterista. Na gravação do disco, Gilbert foi substituída por Phil Cunningham.

 

Para o baixista Peter Hook, o título do último CD representa exatamente a nova fase do New Order: tudo ou nada. E no meio de tantas mudanças e 24 anos de carreira, o grupo está preparando mais um disco. Eba! Se der certo, o álbum pode sair ainda em junho. Rock, techno pop, dance? Nada disso importa! A nova ordem está voltando!

 

New Order: Bernard Sumner (guitarra e vocal), Peter Hook (Baixo), Stephen Morris (bateria) e Gillian Gilbert (teclados)

Resumo da ópera: “Substance”, “(the best of) New Order”, “International” e “Retro”

Saiba mais: New Order Online



::By Andrea - 09h51
[   ] [ Send it ]